terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Simulacros e simulação, por Jean Baudrillard


  Escrito em 1981, “Simulacros e simulação” mantém-se inovador. 
   
  Em seu livro, Baudrillard aborda uma questão que já não seria apenas de um território, de um ser referencial, ou de uma substância, mas a geração, através de modelos, de um real sem origem nem realidade. A simulação não é mais a simulação de um território ou de um ser como referência – é o hiper-real.

   Baudrillard, Jean – Simulacros e Simulação. Portugal, Relógio d’Água, 1991. 

  Fichamento da primeira parte: "A precessão dos simulacros" (págs. 7 a 57) disponível em minhas publicações no ISSUU (Links).

Os meios de comunicação como extensões do homem


Mcluhan aborda os efeitos da tecnologia promovida pela eletricidade sobre o ser humano. Tempo e espaço são abolidos. Na fase final da extensão do homem há a simulação tecnológica da consciência, por meio da qual o processo criativo do conhecimento se estende por toda a humanidade.

Atualmente, os processos de ação e reação ocorrem quase simultaneamente, e nós ainda vivemos com um pé na modernidade, nos padrões pré-elétricos (mecânicos), e de espaço/tempo fracionados.

A análise da origem e do desenvolvimento das extensões individuais do homem deve ser precedida de uma observação aos aspectos gerais dos meios e veículos (extensões do homem). Um bom começo seria examinar o inexplicável entorpecimento que cada uma dessas extensões acarreta no indivíduo e na sociedade.

O autor propõe a discussão sobre a introdução e influência de novas tecnologias na sociedade humana. A afirmativa “o meio é a mensagem” significa que as consequências sociais e pessoais de qualquer meio são o resultado do novo padrão introduzido em nossas vidas – por uma nova tecnologia ou extensão de nós mesmos. 

Mcluhan, Marshall – Os meios de comunicação com extensões do homem. São Paulo: Cultrix, 15ª reimpressão da edição de 1969.

O fichamento da primeira parte (págs. 21 a 37) está disponível em minhas publicações no ISSUU (Links).

Dos meios às mediações, por Jesús Martin Barbero


O autor inicia a obra uma análise dos meios de comunicação até as mediações sociais, sob os pontos de vista dos estudos sociológicos, antropológicos e políticos, dos quais é conhecedor. Martin-Barbero aborda de forma detalhada as categorias de povo e classe, e sua complexidade na sociedade de massa. A explicação de como o rádio e o cinema unificaram as sociedades latino-americanas, resultando na ideia moderna que temos de nação, nos mostra a necessidade de estudarmos os padrões culturais para o melhor entendimento da política e da economia atuais. 

     A investigação sobre os métodos empregados pelos meios na América Latina é feita sobre os processos de constituição do massivo a partir das transformações nas culturas subalternas. A comunicação se converte em espaço estratégico onde se podem pensar bloqueios e contradições que dinamizam a sociedade, no caminho entre o subdesenvolvimento acelerado e a modernização compulsiva. Martín-Barbero aponta a necessidade de se abordar os processos de comunicação de massa em sua forma e esclarecer o movimento latino-americano das mediações promovidas pela sua gente.

Barbero, Jesús Martin – Dos meios às mediações. Rio de Janeiro: UFRJ, 6ª edição, 2009.

O fichamento do capítulo 2 está disponível em minhas publicações no ISSUU (Links). 


Cultura da Convergência, por Henry Jenkins


A convergência de mídias é mais do que apenas uma mudança tecnológica. Ela altera a relação entre tecnologias existentes, indústrias, mercados, gêneros e públicos. Altera a lógica pela qual a indústria midiática opera e pela qual os consumidores processam a notícia e o entretenimento. A convergência refere-se a um processo, não a um ponto final. Ela define mudanças tecnológicas, industriais, culturais e sociais no modo como as mídias circulam em nossa cultura.

Em seu livro, Henry Jenkins demonstra como instituições arraigadas estão se inspirando nos modelos das comunidades de fãs e se reinventando para uma era de convergência de mídias e de inteligência coletiva.
Para ele, a convergência representa uma mudança no modo como encaramos nossas relações com a mídia.

No capítulo de introdução, Jenkins deixa bem claro o termo convergência, que, num conceito mais amplo, se refere a uma situação em que múltiplos sistemas de mídia coexistem e em que o conteúdo passa por eles fluidamente. Convergência é entendida aqui como um processo contínuo ou uma série contínua de interstícios entre diferentes sistemas de mídia, não uma relação fixa.

Jenkins, Henry – Cultura da convergência. São Paulo, 2ª edição, Aleph, 2009.

O fichamento do capítulo "Venere no altar da convergência" (págs. 27 a 53) está disponível em minhas publicações no ISSUU (Links). 

Modernidade Líquida, por Zygmunt Bauman


Em sua obra, Bauman pretende esclarecer como se deu a transição da modernidade sólida para a modernidade imediata, “leve, líquida e fluída”. O autor auxilia-nos a repensar conceitos e esquemas utilizados para descrever a experiência humana individual e sua história conjunta.

Para definir os novos tempos, Bauman sugere o termo “líquido” como uma variedade dos fluídos, já que estes se movem facilmente, são filtrados, destilados – diferente dos sólidos, que são contidos, imobilizados.

No capítulo 3, especificamente, há uma análise da questão tempo/espaço – os espaços públicos e privados, os “não-lugares”, o temor do estranho, do diferente. O autor discute a instantaneidade como forma de dominação e manipulação dos que estão no topo sobre aqueles que estão na base da pirâmide social; o controle do tempo e do espaço como urgência e objetivo final.

  Bauman, Zygmunt – Modernidade Líquida. Rio de Janeiro, Zahar, 2001.
   
   O fichamento do capítulo 3 está disponível em minhas publicações no ISSUU (Links).

Cibercultura, por Pierre Lévy


Com uma linguagem simples e texto fluído, Pierre Lévy faz um ensaio sobre as implicações culturais do desenvolvimento do ciberespaço. É uma obra voltada aos não-especialistas que tentam entender as novas tecnologias, suas implicações culturais, seu uso e suas questões. 

O autor explica como o ciberespaço permite a combinação de vários modos de comunicação. Por exemplo, estão em graus de complexidade crescente: o correio e as conferências eletrônicos, o hiperdocumento compartilhado, os sistemas avançados de aprendizagem ou de trabalho cooperativo e os mundos virtuais multiusuários.

As realidades virtuais compartilhadas, que permitem a comunicação entre milhões de pessoas, devem ser consideradas como dispositivos de comunicação todos-todos, típicos da cibercultura.

Lévy, Pierre – Cibercultura. São Paulo, Companhia das Letras, 2007.

Obs.: O fichamento do capítulo 5 pode ser encontrados em minhas publicações no ISSUU (Links). 

sábado, 28 de janeiro de 2012

Francico de Assis



A sabedoria sob as vestes da humildade

O título da resenha pode perfeitamente ser uma boa definição de uma personalidade singular: Francisco de Assis. O livro, de mesmo nome, ditado por Miramez, com psicografia de João Nunes Maia, narra a vida, os pensamentos e ideais de um dos mais fervorosos seguidores (e cumpridores) do Evangelho de Jesus.  Além dos fatos já conhecidos da trajetória de São Francisco, a obra também nos traz detalhes inéditos, já que foi concebida por um seguidor e amigo do Poverello de Assis, irmão Luiz (Miramez).
O enredo, sob a visão reencarnacionista, envolve o período anterior à vinda de Francisco ao orbe terrestre e sua difícil missão de amor e renúncia em plena Idade das Trevas. Na figura do apóstolo João Evangelista, sua encarnação anterior, Francisco, ainda na espiritualidade, cuida de todos os detalhes de seu retorno ao corpo físico. Em sonho visita sua futura mãe, a fim de inspirar e preparar a família para sua chegada.  
A principal característica do livro é o conteúdo das mensagens de Francisco de Assis – desde as simples conversas até as palavras inspiradas nas pregações, o “homem da Úmbria” demonstra um conhecimento profundo da vida, da alma humana e da doutrina cristã, e nos oferece valiosas lições de humildade, solidariedade e amor.
Publicação da Editora Espírita Fonte Viva, 1985, 404 páginas.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Crueldade contra os animais: BASTA!

Dessa vez não vim aqui falar sobre livros ou filmes. Busquei estas imagens no Google (autores desconhecidos), com exceção da foto do Tuco, um dos meus "menininhos" adotados.
Hoje, dia 22 de janeiro é o dia D da mobilização contra os atos de barbárie praticados contra os animais - todos, de todas as espécies. Eles merecem, no mínimo nosso respeito e gratidão; e claro, nosso amor. Participe, mobilize-se!





sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Feliz Natal!!


Algo mais no Natal

Senhor Jesus!
Diante do Natal, que te lembra a glória na manjedoura, nós te agradecemos:
a música da oração;
o regozijo da fé;
a mensagem de amor;
a alegria do lar;
o apelo a fraternidade;
o júbilo da esperança;
a bênção do trabalho;
a confiança no bem;
o tesouro da tua paz;
a palavra da Boa Nova;
e a confiança no futuro!...
Entretanto, oh! Divino Mestre, de corações voltados para o teu coração, nós te suplicamos algo mais! ...
Concede-nos, Senhor, o dom inefável da humildade para que tenhamos a precisa coragem de seguir-te os exemplos!
Emmanuel
(Do livro “Luz do Coração”, Francisco Cândido Xavier - Edição Clarim)
 ***Feliz Natal***

domingo, 27 de novembro de 2011

Freud explica: o mal estar na civilização

Em sua obra, Sigmund Freud se refere às conseqüências da criação de uma sociedade civilizada, na qual o ser humano teve de reprimir seus instintos mais violentos. Como esses instintos não foram satisfeitos, acabaram gerando neuroses e infelicidade. Para Freud, o instinto humano é naturalmente agressivo e, assim que se liberta do sistema que o reprimia, o homem tende a destruir o meio em que vive. Para que haja o desenvolvimento de um indivíduo e da civilização em geral, é essencial que se faça um controle de todas as pressões impostas às pessoas. Existem dois princípios que regem a vida, e que entram em constante conflito: o princípio do prazer e o da realidade – também denominados instinto de vida (Eros) e o instinto de morte (Tanatos), respectivamente. Enquanto Eros age com o intuito de interagir na civilização e aproximar os indivíduos, Tanatos atua de forma oposta, ou seja, contra a sociedade.
Em seu meio, o homem se enquadra na condição de alienação perante imposições de uma sociedade repressora, sem que lhe seja oferecida a possibilidade de liberdade, e consequentemente, não é concretizada sua felicidade, entendida como a liberação das energias instintivas. Ele nunca atinge a plenitude, apenas instantes fugazes de satisfação que são resultado dos impulsos sexuais represados. Apesar de estar na condição de ser racional, a característica instintiva aproxima o ser humano de qualquer espécie animal, independente da escala a qual este pertença. Neste conflito existente entre os princípios Eros e Tanatos e as diversas análises que podem ser consideradas, a principal delas está entre o amor, cujo poder induz o indivíduo a não aceitar privar-se do objeto de desejo, e a dor, que é a sensação desagradável advinda da não realização de um relacionamento interpessoal. Segundo o autor, as frustrações de ordem sexual são aquelas que os neuróticos não conseguem tolerar e criam, através dos sintomas, satisfações alternativas que causam sofrimento ou se tornam fonte de angústias pelas dificuldades geradas em seus relacionamentos de um modo geral.
Entretanto, além da castração, o mundo civilizado impõe outros sacrifícios. O desenvolvimento cultural de um grupo social implica diretamente no relacionamento entre um número considerável de pessoas. Quando uma relação amorosa se encontra em seu ponto mais alto, o casal se basta, não havendo lugar para outro alguém. Esta é a situação na qual Eros revela todo o âmago de seu ser, no entanto, se recusa a ir mais além e permanece atuante apenas no modelo de ligação a dois. Se imaginarmos uma comunidade cultural composta de indivíduos duplos (casais) que, libidinosamente satisfeitos sejam capazes de se vincular a outros por meio do trabalho e interesses comuns, a sociedade não iria extrair energias da sexualidade. Porém, esse estado de coisas não existe, e nunca existiu. O plano real nos mostra que a civilização não se contenta com as ligações que até o momento lhe oferecemos, e então visa unir todos os seus membros entre si de maneira libidinosa, empregando todos os meios disponíveis para isso. Os indivíduos têm os caminhos favorecidos para que uma forte identificação seja estabelecida com seus semelhantes; em ampla escala a libido, que se encontra inibida, é despertada em sua finalidade, promovendo o vínculo comum através das relações de amizade. Para que os objetivos dessa civilização sejam alcançados, ela força restrições à vida sexual do indivíduo. De acordo com Freud, não somos capazes de entender a necessidade que o meio social tem de seguir este rumo, o antagonismo à sexualidade do ser. Algum fator de perturbação, por enquanto não foi descoberto. Podemos ainda detectar em nós uma dose de agressividade, e supomos que ela esteja presente também nas outras pessoas, e isso cria entraves nos relacionamentos interpessoais, gerando um alto dispêndio de energia para a civilização. A conseqüência da hostilidade primária humana é a ameaça constante de desintegração que apavora a sociedade denominada civilizada. A inclinação que o ser humano possui para a agressividade não é tão fácil de ser descartada. Freud analisa que, se tomarmos um pequeno grupo cultural de pessoas, elas se sentirão mais confortáveis se concederem a esse instinto na forma de hostilidade contra intrusos. Há um bom número de indivíduos unidos no amor, e outro tanto nada desprezível, em manifestações de agressividade.
Se o mundo civilizado impõe sacrifícios ao ser humano, não apenas à sua sexualidade, mas também à sua agressividade, é natural entender as razões que impedem a felicidade nessa sociedade. Talvez haja a possibilidade de nos familiarizarmos com a idéia de que existam dificuldades ligadas à natureza da civilização, e que estas não se submeterão às tentativas de reforma. Na última fase do pensamento freudiano, o terreno social é representado em uma polaridade constante entre duas lógicas: a da política e a da guerra, já que os fundamentos do poder estão embutidos na renúncia dos prazeres imposta aos indivíduos e na regulação da vida social. Decorrentes disso são a neurose e o mal estar, dos quais dificilmente se pode fugir. O método mais adequado para minimizar o desconforto é o tratamento terapêutico direcionado a cada um.
A grande questão é saber até que ponto o desenvolvimento cultural humano irá sobrepujar a inquietação e a angústia provocadas pelo instinto de agressão e autodestruição, natural no homem. Há um considerável domínio das forças da natureza exercido pela humanidade, que os indivíduos seriam capazes de se exterminarem uns aos outros completamente; e a consciência deste fato é a causadora de boa parte de sua infelicidade e ansiedade. No mundo atual não há lugar para utopias; o ovo do réptil está em constante desenvolvimento em nosso interior – constituindo-se a eterna luta entre Eros e Tanatos, ambos tentando se firmar.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Os degraus da sétima arte

Saindo um pouco do gênero literário, vamos falar um pouco sobre cinema. Recentemente fiz um trabalho sobre a análise das diferenças de contexto entre as cenas de duas produções cinematográficas bem conhecidas. Vamos a elas.


O Encouraçado Potemkin
Diretor: Sergei Eiseinstein
Elenco: Alexander Antonov, Vladimir Barsky, Grigory Alexandrov, Marusov, Mikhail Gomorov
Ano de produção: 1925
Obra prima de Eiseinstein, “O encouraçado Potemkin” retrata fase do período czarista. A Rússia iniciava seu desenvolvimento industrial utilizando-se de investimentos estrangeiros. O governo era autocrático e o poder centralizado.
Em 1905, marinheiros de um navio do czar se rebelam contra a tirania dos comandantes e tomam o controle do Potemkin. Após saber da morte de um marujo por causa de ‘um prato de sopa’, a população do porto de Odessa passa a apoiar o levante. As forças repressoras do regime czarista, então, esmagam o movimento com exacerbada violência.

Os Intocáveis
Diretor: Brian De Palma
Roteiro: David Mamet
Elenco: Kevin Costner, Robert De Niro, Sean Connery, Andy Garcia,  Charles Martin Smith
Ano de produção: 1987
Um dos mais emblemáticos filmes de De Palma, “Os intocáveis” mostra a Chicago dos anos 30, na época da ‘Lei Seca”.
Elliot Ness é um agente federal encarregado de capturar o gângster Al Capone, célebre chefe da máfia. Por causa da corrupção dentro do próprio sistema policial, as tentativas de Ness em deflagrar as ações do bando acabam frustradas. Após ser humilhado pelos jornais, o agente resolve reunir um grupo de homens confiáveis e incorruptíveis para auxiliá-lo na empreitada. O primeiro a se juntar a equipe é Jim Malone, experiente policial e mentor de Ness. Em seguida, eles convocam George Stone, um italiano que acabara de ingressar na Academia e exímio atirador. O quarto integrante é Oscar Wallace, contador que ficaria responsável por analisar se Al Capone estava omitindo informações do imposto de renda.

Tema da análise:
Escadaria do Porto de Odessa – O encouraçado Potemkin (EISEINSTEIN, SERGEI – 1925) Escadaria da estação de trem – Os Intocáveis (DE PALMA, BRIAN – 1988)

A produção russa, após a revolução de 1917, não apenas no cinema, mas nas artes em geral, adotou o modelo ‘realismo socialista’. Apesar das produções receberem financiamento do Estado, que tinha o objetivo de divulgar uma nova ideologia, outra forma de ver o mundo (inacessível ao cidadão comum), a ditadura stalinista estava em seu início e ainda não havia uma política acabada para a cultura. Este era um fator importante, pois garantia certa liberdade a artistas e intelectuais. A idéia era a de que a arte não tem que ser decorativa, mas sim assumir uma função social (construtivismo). Para o inquieto Sergei Eiseinstein, o ‘fazer alguma coisa’ só tem sentido no contexto coletivo, e o diretor mostra isso muito bem no filme “O encouraçado Potemkin”.  A ideologia de Eiseinstein está presente nesta obra por meio do retrato da intolerância humana, seja de qualquer origem ou período histórico. Ele não estava preocupado com a narrativa linear, pois o que dava sentido ao filme eram a montagens de atrações e intelectual – blocos de ação com uma temática, com a intenção de causar êxtase. Ou seja, uma imagem não tem sentido sozinha. A iniciativa de Eiseinstein de colocar os dois planos juntos, totalmente diferentes, em sequência, foi uma inovação para o cinema da época, cheio de planos gerais ou ultra-closes. Esses planos criam um sentido conseqüente e dialogam com o público (montagem dialética).

A cena mais famosa do longa é a da escadaria de Odessa, onde os cidadãos que apóiam o movimento dos marinheiros do Potemkin são barbaramente assassinados pelos soldados Cossacos. Em um jogo de câmera interessante, que serve para que o diretor tome parte no conflito, as vítimas permanecem sempre em close, e os algozes aparecem como ‘sombras’, configurando os elementos emocionais presentes. Em grandes momentos de tensão, o som da música se alterna, entre um crescendo frenético e depois interrompido em diversos instantes. A movimentação dos personagens é caótica, exceto os soldados, que figuram em absoluta ordem, como uma muralha descendo sobre a multidão. As cenas cruciais são a do desespero da mãe ao perceber que seu bem mais precioso havia sido levado por causa de uma briga injusta e cruel e a do carrinho com o bebê descendo as escadas, desgovernado em meio ao tiroteio. A tensão é provocada por meio dos movimentos ousados que Eiseinstein faz com as câmeras, em diversas panorâmicas e elevações, assim como nos closes dos rostos torturados pelos instantes de terror da repressão.
 

O primor de Eiseinstein recebeu, 62 anos depois, uma homenagem à altura, concedida pelo cineasta Brian De Palma. Conhecedor de planos e enquadramentos, dono de estética visual marcante e dominador da linguagem narrativa, De Palma sabe manipular a tensão e dirigir tomadas de ação. Embora esteja num outro contexto, a cena das escadas em “Os intocáveis” não provoca menos calafrios no espectador. Na escadaria da estação de trem, uma mãe desesperada vê o carrinho que leva o seu bebê descer vertiginosamente em meio aos projéteis disparados entre agentes da lei e mafiosos. O diretor organizou as tomadas em câmera lenta e, ao mesmo tempo em um ritmo alucinante. O suspense é garantido pelos instantes silenciosos e lentos em que Elliot Ness espera pelo guarda-livros de Capone, gerando grande expectativa. Os closes se alternam entre o relógio, a figura extremamente tensa de Ness, e os poucos passageiros que entram e saem da estação.

O filme “Os intocáveis” procurou expressar a realidade da máfia, da corrupção político-social presente na sociedade, assim como “O encouraçado Potemkin” deixou bem clara a questão das diferenças sociais promovidas pelo homem. No entanto, na obra de De Palma o bem vence o mal, com a moral de que o crime não compensa, bem ao estilo americano. Quanto aos conflitos ocorrentes desde o princípio da humanidade, na busca incessante pelo poder e pelo ouro, sacrificando todos os tipos de vida no planeta, quando irão terminar? Nem mesmo o mais experiente e brilhante cineasta pode prever...

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Rubem Alves em verso e prosa

O Ciaei (Centro Integrado de Apoio à Educação de Indaiatuba) recebeu na quarta-feira, 19 de outubro, o autor Rubem Alves. O tema da palestra foi “O prazer da leitura”, e teve a poesia como pano de fundo, considerada pelo convidado como uma das formas mais intensas de se comunicar.
A apresentação integra o “Outubro Literário”, promovido pela prefeitura de Indaiatuba, com apoio da Secretaria de Cultura.

Alves iniciou com a citação a Fernando Pessoa, a quem ele denomina “um equívoco da divindade”. Autores consagrados também foram lembrados, como Vinícius de Moraes, Cecília Meireles, Herman Hesse, Robert Frost, Gabriel Garcia Marquez e o filósofo Friedrich Nietzsche.

Com bom humor, Alves expôs episódios de sua vida. Os conceitos de morte, sofrimento e velhice também foram abordados pelo escritor. O livro “A montanha encantada dos gansos selvagens” foi inspirado na dor de uma criança diante da perda de um ser amado. Alves demonstra prazer em escrever para o público infantil – “Escrevo para crianças para amenizar seu sofrimento; elas sofrem por causa dos adultos”, disse. E complementa: “As crianças nunca perdem a capacidade de se encantar diante da vida”.

Analisando a literatura sob uma perspectiva poética, Rubem afirmou: “A gente escreve porque não quer morrer” e lembrou Nietzsche quando disse que “Pessoas são livros. A literatura é uma experiência antropofágica, há ‘pedaços’ do autor na obra”.
Para finalizar, o autor ensina que devemos transformar a dor em beleza e arremata: “Os palhaços não levam a vida tão a sério. Como os poetas“.

Rubem Alves é escritor, psicanalista, educador e teólogo. Possui livros e artigos sobre temas religiosos, educacionais e infantis. Além da poesia, a culinária é uma paixão e tema de seus textos. Atualmente vive em Campinas e tem um restaurante, ponto de encontro semanal do grupo “Canoeiros” para leitura de poemas.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Revista digital sem complicações

Há quem diga que os impressos estão com os dias contados. Se depender da indústria tecnológica, a contagem já terminou. Ainda há muitos que preferem a leitura tradicional, porém, já faz algum tempo que revistas, jornais e livros têm seu conteúdo disponível online. Estamos na era da interação Homem-máquina.
Enquanto os usuários estão fascinados, as editoras empreendem uma corrida alucinante para acompanhar as inovações que surgem a cada instante. Foi pensando nisso que Jean Frédéric Pluvinage, estudante do último ano de Jornalismo do Ceunsp, em parceria com Ricardo Minoru Horie trouxeram para o mercado o livro “Revistas digitais para iPad e outros tablets – Arte-finalização, Geração e Distribuição”. Lançada pela editora Bytes & Types, a publicação utiliza o InDesign CS5.5 como principal ferramenta e explica em detalhes os procedimentos para que profissionais de diagramação de produtos editoriais dos mais variados segmentos possam produzir revistas digitais no formato Folio (folhas dobradas uma vez ao meio, originando quatro páginas em cada uma). O conteúdo poderá ser visualizado em tablets como o iPad, Galaxy Tab, Xoom, entre dezenas de opções.
O mundo digital oferece infinitas possibilidades, mas render-se ao mundo fantástico da tecnologia requer conhecimento e paciência. Não basta ter a ferramenta, é preciso saber como utilizá-la, e muito bem. De acordo com Jean, “adaptar uma revista impressa para a linguagem do tablet envolve a transposição de uma narrativa linear para uma narrativa digital, sem perder a identidade editorial e gráfica da publicação”. Ele explica que essa narrativa deve instigar o leitor a explorar um conteúdo oculto. “É o prazer de descobrir os níveis de profundidade da revista agregado ao conhecimento e informação que o leitor busca”, complementa.
A obra é pioneira ao tratar do assunto no Brasil e no mundo. Jean afirma estar satisfeito com o resultado do trabalho, e a parceria com Ricardo Horie enriqueceu ainda mais sua experiência. “Espero que o livro se torne uma referência e ajude as pessoas a conhecer melhor esse mercado”, declara Jean.

Atualmente Jean Pluvinage é diagramador e jornalista da revista Desktop, especializada em artes gráficas. Escreveu as reportagens “A arte narrativa na vida digital” e “Próxima partida: Homem x máquina”, ambas para a revista Continuum do Itaú Cultural.
Horie, o coautor, é sócio-diretor da Bytes & Types e já publicou mais de 50 livros técnicos na área de editoração eletrônica.  

O livro está disponível na loja virtual da Bytes & Types. A editora também disponibiliza no site arquivo em PDF com amostras de algumas páginas – http://www.bytestypes.com.br/

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Marley e eu

Esses adoráveis anjos de patas

Aqueles que me conhecem sabem muito bem que eu não poderia deixar de mencionar este livro. Sei que ele foi comentado à exaustão, que continua sendo sucesso de vendas e coisa e tal. Mas, quem tem em casa um ser de quatro patas, com cara de pidão e pelos no corpo, pode perfeitamente se identificar com a história comum e ao mesmo tempo emocionante de uma família e seu labrador endiabrado.
Também não vou contar aqui a saga do cãozinho Marley, que todos também já conhecem. Ela se repete diariamente em muitos lares. No entanto, vale lembrar que este é um dos poucos livros que viraram filme sem perder a essência da história impressa. A convivência entre o ser humano e os animais, muito mais do que modismo, pode significar um aprendizado muito rico, já que a amizade e o amor incondicional desses ‘anjos de patas’ são capazes de nos transformar, para melhor.
Emoção e muitas risadas garantidas.

Publicado pela Prestígio editorial, 2005, ISBN 978-85-00-02157-2 – 302 páginas.

Enquanto o amor não vem


O meio-tempo para o amor

Você conhece alguém que encontrou o amor verdadeiro? Acredita que ele exista aqui na Terra? Bem, talvez algumas pessoas conheçam outras que estejam vivendo, ou tenham vivido um sentimento vivo e intenso. Até mesmo pode haver quem esteja lendo essa resenha e conheça de perto o amor de verdade. Essas pessoas devem agradecer todos os dias, pois no plano em que vivemos isso equivale a encontrar um tesouro, ou ganhar sozinho o prêmio acumulado da mega sena.

Para Iyanla Vanzant é possível encontrarmos o amor que desejamos. Em seu livro ‘Enquanto o amor não vem’ ela nos indica a fazermos uma faxina em nossa vida sentimental, através de pequenas histórias de gente comum, com seus conflitos, angústias e alegrias. Ela nos ensina a aproveitar o tempo de espera – denominado de meio-tempo – para que o façamos valer a pena.

A leitura é leve, atraente e aborda conceitos de auto-estima, mágoas, relacionamentos obsessivos, medo, auto-sabotagem, e outros empecilhos a nossa felicidade afetiva, criados por nós mesmos.

Segue algumas palavras de Iyanla no início do livro:
“Haverá um momento em sua vida em que o amor vai chegar. Antes disso, você terá feito tudo o que podia, tentado tudo o que podia, sofrido o quanto podia e desistido muitas vezes. Mas, com a mesma certeza com que você está lendo este texto, posso lhe garantir que esse dia virá. Nesse meio tempo,  este livro vai lhe contar muitas histórias e lhe ensinar algumas coisas que você pode fazer para se preparar para o dia mais feliz de sua vida: o dia em que experimentar o amor verdadeiro.”

A autora garante que já encontrou o seu grande amor. Espero que aqueles que lerem o livro também tenham a mesma sorte, inclusive eu...

Publicado pela Sextante, 1998
ISBN 85-86796-23-9 
264 páginas

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Talento à prova de crise



A autora dá dicas de como driblar as várias crises pelas quais passamos, 
tanto as externas quanto as internas

As crises existem, é um fato. Elas podem estar no lar, na empresa, no mundo e dentro de nós. Todos as enfrentamos, mais cedo ou mais tarde, e o modo como encaramos esses períodos de turbulência é o que nos diferencia. Muitos afirmam que uma pessoa bem sucedida teve sorte; pode ser, afinal, bons ventos não fazem mal a ninguém. Mas, será que foi só isso? Essa ideia pressupõe que o Criador seja um ser caprichoso, elegendo alguns de seus filhos para serem bafejados pelo sucesso, enquanto outros se vêem na angústia de terem todos os seus projetos desmoronados pela mão do destino. Não é bem assim. Leila Navarro, em sua obra ‘Talento a prova de crise’, sugere que identifiquemos e superemos as várias formas de crise, inclusive como tirar proveito delas.

Há um provérbio antigo que diz: ‘Deus nos dá o frio conforme o cobertor’, ou seja, a ninguém é oferecida uma tarefa, um desafio, para os quais não tem condições (inteligência) de solucionar. A proposta da autora é mostrar, através de sua larga experiência na área do comportamento humano, que podemos controlar as situações críticas do dia-a-dia e redescobrir o talento existente em cada um de nós.

A linguagem literária é franca, jovial e de estilo irreverente. Utilizando-se de casos e testes, Leila nos ensina a nos tornar cúmplices de nós mesmos, e nos armarmos emocionalmente para os momentos em que o universo parece não conspirar a nosso favor.
A obra traz também comentários de autores e especialistas como Max Gehringer, Içami Tiba, Luiz Marins, prof. Gretz, entre outros.

Leila Navarro realiza palestras motivacionais e comportamentais, percorrendo o Brasil com suas apresentações. Ela é autora de mais onze livros e figura na revista Veja entre os vinte maiores palestrantes do país.

Publicado pela Thomas Nelson Brasil, 2009
ISBN 978-85-7860-056-3 
205 páginas

Guia de elegância de uma reles mortal


Finalmente, alguém percebeu que não dá para a maioria das pessoas ficar elegantes gastando o que não têm, muitas vezes, com peças que nada têm a ver com o estilo de quem irá vesti-las.

De acordo com Helena Perim Costa, elegância não é uma questão de luxo. Com bom senso e um bom espelho você chega lá. A autora, embora tenha morado em uma cidade cara como Milão, se declara uma ‘reles mortal’ – sempre dependeu de salário para sobreviver, e leva uma vida que ela mesma classifica como ‘normal’ – trabalhar a semana toda, pagar contas, aluguel etc.

Por ser observadora e detalhista, percebeu que os milaneses respiram moda. Há lojas por todos os lados, e aonde quer que se vá naquela cidade, irá fatalmente dar de cara com uma vitrine. E foi levando uma vida comum que Helena percebeu que aquilo que se vê nas vitrines não é o mesmo que se vê nas ruas. Afinal, em qualquer lugar do mundo, são poucas as pessoas que podem se vestir com roupas de marca, usar sapatos de salto 10 e bolsas de grife.

Pensando nisso, a autora, que não é profissional de moda e nem tem amigos que atuem nessa área, resolveu publicar o ‘Guia de elegância de uma reles mortal’. De uma forma bem humorada, o livro oferece truques e dicas para se manter bem arrumado sem arruinar a conta bancária.

Portanto, antes de correr às lojas dê uma boa olhada em seu armário e tenha o Guia de elegância sempre a mão, porque mais do que estar na moda, ser elegante é criar um estilo próprio, seguindo as regrinhas básicas com criatividade, limite, humor e muito bom senso.

Publicado pela editora Matrix, 2006 
102 páginas

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Os sertões


A terra, o homem, a luta

Publicado em 1.902, “Os sertões” trata da Guerra de Canudos (1896-1897), no interior da Bahia. Euclides da Cunha presenciou uma parte desta guerra como correspondente do jornal O Estado de São Paulo.

No entanto, antes de falar sobre o livro é necessário destacar o contexto sócio-cultural em que ele foi escrito. Com base na seleção natural de Charles Darwin sobre a evolução das espécies – a teoria da evolução – surgiram correntes nas ciências sociais que se apoiavam na tese da sobrevivência da espécie humana para instituir o controle demográfico. Mais conhecido como darwinismo social, o pensamento sustentava a idéia de que características biológicas e sociais determinavam que uma pessoa fosse superior a outra. Alguns dos padrões determinantes da superioridade de um indivíduo seriam um maior poder aquisitivo, a habilidade nas ciências exatas e a raça. O Darwinismo Social foi empregado para tentar explicar a pobreza pós-revolução industrial, sugerindo que os que estavam pobres eram os menos aptos (segundo interpretação da época da teoria de Darwin) e os mais ricos, que cresceram economicamente, seriam os mais aptos a sobreviver, por isso os mais evoluídos.

A tendência de se construir explicações biológicas para comportamentos considerados como socialmente indesejados, tais como o alcoolismo, a violência, a tristeza ou a depressão e a infância problemática (ao que hoje damos o diagnóstico de DDA – Distúrbio de Déficit de Atenção), caracterizou grande parte do discurso da Higiene e da Medicina Legal no final do século XIX e inicio do XX.

Euclides da Cunha era jornalista, militar e republicano, e sua formação ocorreu dentro dessa maneira de pensar.  Ele acreditava ser o Homem um produto do meio (determinismo – a miscigenação dos povos é contra as ‘leis naturais’).

Em “Os sertões” o autor aborda a questão da miscigenação no Brasil, fazendo uma distinção entre o sertanejo do litoral e do interior do país. Euclides baseia-se nas teorias raciais da época, compondo uma teoria na qual mostra como é prejudicial à intensa mestiçagem, pois pode trazer elementos de uma raça evoluída, degradando-os com os elementos de uma raça que se encontra em estágio inferior:
“A mistura de raças mui diversas é, na maioria dos casos, prejudicial. Ante as conclusões do evolucionismo, ainda quando reaja sobre o produto o influxo de uma raça superior, despontam vivíssimos estigmas da inferior. A mestiçagem extremada é um retrocesso. O indio europeu, o negro e o brasílio-guarani ou o tapuia, exprimem estágios evolutivos que se fronteiam, e o cruzamento, sobre obliterar as qualidades preeminentes do primeiro, é um estimulante a revivescência dos atributos primitivos dos últimos. De sorte que o mestiço — traço de união entre as raças, breve existência individual em que se comprimem esforços seculares — é, quase sempre, um desequilibrado.” (CUNHA, 96, 1985).

O livro acaba, mas não termina. Esta obra foi uma das mais importantes reflexões sobre a identidade nacional. O escritor positivista que acreditava na república é o mesmo que denuncia a dor, a fome e a barbárie. Canudos foi um crime cometido para e pela república. O Estado só chegara tão longe para trazer a injustiça e a morte. Essa não era a república reclamada pelo autor. Euclides não mascarou a realidade porque não pregou uma falsa igualdade social entre as “raças”, o que seria feito por outros. Como identidade nacional, podemos tirar a frase “A nação brasileira é o resultado de uma angústia racial”, e ele, Euclides da Cunha, é o primeiro que se propõe a fazer um estudo a fundo desses cruzamentos todos que nos formam.

Fonte: Wikipédia / Colaboração: Profª Regina Amélio (Ceunsp-Salto-SP)